Por Moema Locatelli Belluzzo, tabeliã e registradora no Estado do Pará
Parte 1 de 3 textos sobre discriminação de gênero e fake news (Confira a parte 2 e parte 3)
Este texto examina a complexa relação entre discriminação de gênero e fake news, explorando como a desinformação afeta a percepção de gênero, reforça estereótipos negativos e contribui para a violência e desigualdade de gênero. Ao abordar a interseção entre fake news e discriminação de gênero, pretende-se contribuir para uma compreensão mais profunda dos desafios enfrentados pelas mulheres na era digital e promover soluções eficazes para um ambiente informativo mais justo e equitativo.
O impacto devastador das fake news
No final de 2023, o Brasil foi abalado pela trágica notícia do suicídio de uma jovem que se viu no centro de uma tempestade de fake news. Rumores falsos começaram a circular nas redes sociais, alegando que uma jovem estava tendo um caso com um famoso humorista. Esse tipo de difamação evidencia como mulheres, em situações de escândalos sociais, são mais frequentemente envergonhadas e julgadas publicamente, refletindo a discriminação de gênero enraizada na sociedade.
A interpretação desse caso teve uma reviravolta, quando as investigações realizadas pela polícia levaram à conclusão de que a própria jovem havia criado e divulgado conteúdos sobre um falso relacionamento com o humorista. De qualquer forma, o que chama a atenção é o volume e a agressividade da resposta nas redes sociais, ao reagir à “informação”. A origem dessa história pode ter sido uma criação, mas o perigo é real. Uma rápida pesquisa na internet revela uma série de casos de jovens e adultos que atentaram contra a própria vida, na esteira da avalanche de ataques após a divulgação de fake news e exposição da intimidade.
A desinformação como um reflexo da desigualdade de gênero
Casos desse tipo servem com exemplos dolorosos do poder destrutivo das fake news e da urgência em combater esse problema, não apenas como uma questão de desinformação, mas também como um reflexo da discriminação de gênero. A proliferação de fake news na sociedade contemporânea não só distorce a realidade e manipula a opinião pública, mas também perpetua preconceitos e desigualdades sociais.
Fake news e misoginia: uma combinação perigosa
Neste contexto, as mulheres são desproporcionalmente afetadas, pois a desinformação frequentemente assume uma forma misógina e difamatória, reforçando estereótipos negativos e alimentando a violência e o assédio online. Como exploraremos no próximo artigo desta série, a discriminação de gênero no Brasil tem raízes profundas e históricas, o que torna o combate a esses estereótipos ainda mais complexo.
Sobre a autora
Moema Locatelli Belluzzo é Tabeliã e Registradora de Imóveis no Estado do Pará, Presidente na ANOREG/PA, Diretora da ANOREG/BR e da Confederação Nacional dos Notários e Registradores (CNR).
Publicado originalmente em: https://analise.com/opiniao/discriminacao-de-genero-na-era-das-fake-news-perspectivas-legislativas-no-combate-a-desinformacao-como-forma-de-promocao-da-justica-de-genero
